Texto postado inicialmente no meu wordpress em 25-03-2012


Ela fechou os olhos, se imaginando em um lugar diferente, não aquele para onde sua mente já vagava como se tivesse vida própria. Concentrou-se um pouco mais, imaginando os contornos da ponte, o modo como à lua refletia na água. A forma como sentia o vento bater na pele, e, até mesmo, o cheiro peculiar do local. O ultimo detalhe foi o suficiente, quando finalmente abriu os olhos à imagem de sua mente era exatamente o que ela via. Essa não era a parte mais difícil para alguém como ela. Teletransporte não é algo que assuste a uma feiticeira, mesmo que a espécime em questão seja apenas uma jovem mulher.
Depois de sorrir satisfeita consigo mesma e observar atentamente a paisagem noturna de Verona ela voltou a concentração inicial. Contudo dessa vez era um tanto mais complicado, não se tratava de um objeto fixo, a saída era focar nas sensações, mas, de um modo mais profundo. Primeiro o cheiro, aquele aroma amadeirado com algo mais que ela nunca soube identificar, depois o toque que sempre lhe gerava pequenas correntes elétricas, e por ultimo o gosto, doce, viciante e como tudo mais, envolvente. Esse último a prendeu por mais tempo, trazendo junto à sensação de calor que sempre se misturava ao brilho avermelhado que se permutava ao amarelo dourado, vez ou outra tomando tonalidades alaranjadas. A reação de dois poderes se misturando conforme os lábios se fundiam.
Um dos cantos de sua boca curvou-se para cima quando notou que não mais imaginava aquilo, tudo que estivera pintado em sua mente agora era palpável. Porém ela não abriu os olhos, não ainda. Apenas deixou-se relaxar e aproveitou o efeito conhecido que ele lhe causava. Os braços apertando sua cintura enquanto suas mãos brincavam com os cabelos dele, atualmente um pouco maiores, deliciosamente agradáveis ao toque.
As duas bocas se separaram, e ele beijou-lhe a testa, o tempo estava acabando e ambos precisavam voltar. Quando os olhares se encontraram ela sabia que lhe restavam apenas alguns segundos. Ele sussurrou-lhe algumas palavras, iluminando seu olhar. Ela ficou na ponta dos pés para dar-lhe um selinho. Afastou-se um pouco, e quando piscou estava novamente sozinha. Não havia nenhum sinal da presença daquele que a fazia ferver em brasas, exceto por uma tulipa fire deixada no parapeito da ponte.
Ela pegou a flor, e , ainda sorrindo, fechou os olhos e também desapareceu.


2 Comentários

  1. ... gente!
    Primeiro, coisa mais linda que você se joga nessas situações de poderes e feitiços, acho que já li outro texto seu nesse Universo. E MENINA, você descreveu o beijo de um jeito tão... que nossa, ficou perfeito! Socorro! AHUAHUAH nem sei explicar :')
    Olha, você tava escondendo o ouro, né, rapaz?Coisa feia! Pois trata de continuar postando esses seus textos antigos, viu u _ u

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    1. Eu escondendo ouro? Tô nada, tava postado lá no outro blog...abandonado xD
      Eu amo descrever poderes, é lindo <3 *a que jura que nasceu bruxa em outra vida. #PartiuFogueiraDaInquisição*
      Haha vou postar, e que bom que gostou <3

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