Autora: Laini Taylor

Título Original:  Daughtr Of Smoke And Bone

Páginas: 382 Páginas

Editora: Intrínseca


Sinopse: Pelos quatro cantos da Terra, marcas de mãos negras aparecem nas portas das casas, gravadas a fogo por seres alados que surgem de uma fenda no céu. Em uma loja sombria e empoeirada, o estoque de dentes de um demônio está perigosamente baixo. E, nas tumultuadas ruas de Praga, uma jovem estudante de arte está prestes a se envolver em uma guerra de outro mundo. O nome dela é Karou. Seus cadernos de desenho são repletos de monstros que podem ou não ser reais; ela desaparece e ressurge do nada, despachada em enigmáticas missões; fala diversas línguas, nem todas humanas, e seu cabelo azul nasce exatamente dessa cor. Quem ela é de verdade? A pergunta a persegue, e o caminho até a resposta começa no olhar abrasador de um completo estranho.

Confesso que quando essa obra entrou na minha wishilist veio com um grande peso em expectativas, e talvez, só por isso, eu tenha ficado um pouco frustrada. O problema não é exatamente o livro em si mas a primeira parte dele, que segue de forma arrastada — que, a não ser por quem se tornou meu personagem favorito, mesmo sendo um secundário, Brimstone — não me simpatizei muito com o enredo ou os personagens de primeiro plano. Contudo, no decorrer da trama essa pequena “enrolação” no livro se prova necessária, do contrário seria muita informação para se absorver em poucos capítulos.
Karou não é bem uma garota comum, e isso não é só por seus cabelos que já nascem azuis e nunca desbotam, ela faz tarefas para um “demônio”, na verdade um quimera (ou, sendo mais especifica, um feiticeiro que também tem pupilas verticais como outro personagem favorito de outros livros ai). Essas tarefas são basicamente recolher dentes por todo o mundo, não só de humanos, como também de vários outros animas e levá-los para Brimstone em sua loja, que tem portais por todo mundo, mas que nem mesmo Karou sabe muito bem onde realmente fica. Como pagamento ela recebe desejos, geralmente, os segundos menos poderosos dos tipos que Brimstone negocia em troca de dentes, e pode reabastecer seu colar com scoopies, "miçangas" que concedem desejos simples e quase inúteis.
Apesar desse “trabalho” estranho ela consegue conciliares suas tarefas e sua vida razoavelmente bem. Vive desenhando, incluindo as próprias criaturas míticas com quem convive, e coisas mais normais, frequenta uma escola de artes, e tem um ex-namorado que ainda não aceitou muito bem o termino. Ah, e uma melhor amiga baixinha e raivosa, que é na verdade sua única amiga de verdade, já que com sua vida dupla fica um tanto quanto difícil deixar com que as pessoas se aproximem, porém Zuzana lida bem, na medida do possível, com os segredos e “sumiços” de Karou.
E, além disso, perguntas vivem perseguindo-a, "quem é ela?"; "O que o “Mercador de Desejos” faz com os dentes que ela recolhe?"; E, "como uma garota aparentemente comum acabou sendo criada por quimeras?" Quimeras que são toda a família que ela tem. O que se resume a Bristone, o Mercador de Desejos, cabeça de cordeiro e olhos de crocodilo; Issa, metade mulher, metade cobra, e cabelos de Medusa com uma personalidade incrivelmente encantadora, ao menos em relação a Karou; Yasri, uma mulher com bico de papagaio que faz deliciosos quitutes em forma de chifres; e, Twiga, um homem com pescoço de girafa, meio corcunda.  Eles são, não só tudo de que ela se lembra desde pequena, como todas as criaturas como eles que ela conhece.
A vida da protagonista segue com esses questionamentos até certo dia ser atacada por um rapaz alto, alado e de olhos de tigre (olhos felinos tão com tudo ultimamente /hm). O rapaz a intercepta no meio de uma missão e então passa a procura-la por todos os lugares. E em meio a isso marcas de mãos queimadas em portas aparecem por todo o mundo. Para desapontar em  um momento em que tudo isso se entrelaça e Karou se vê desesperada não só tendo de lutar para saber o ela que é, como achar um meio de ajudar a própria “família”.
O começo do livro é de certa forma vago, deixando o leitor às cegas sobre a origem de Karou e da loja de Brimstone, assim como o que o quimera faz com os dentes que a menina recolhe. Akiva, o anjo perseguidor de Karou, também é meio ‘misterioso’ em suas primeiras aparições e o livro só entra num ritmo mais frenético quando está se encaminhando para o fim.
Os personagens, no geral, não me cativaram tanto quanto eu esperava. Apenas Brimstone que me fazia ficar instigada com sua história, e para o próximo livro não sei exatamente o que esperar em relação a ele, já que as insinuações das ultimas páginas são desconcertantes. Issa foi outra pela qual conseguiu ter minha simpatia.
Quanto aos principais, Karou já pareceu amadurecer se comparada do inicio ao final do livro, o que já era de se esperar dada as experiências e descobertas. Mas, ainda acho que ela precisa ser mais explorada nas próximas obras.
Akiva também, mas dele eu realmente nem sei o que dizer.
Quanto as últimas partes do livro, elas são meio atemporais, e a construção ficou bem interessante, um ponto a favor da obra. E outro em favor da autora é o universo alternativo criado por ela que se revela a partir das descobertas de Karou. Que, de certa forma, é diferente dos já tão explorados em livros.
No geral, acho que daria uns 3,8 para o livro.

Uma última recomendação. Compre o livro dois antes de terminar o primeiro, se não fizer isso acho que irá se arrepender ao chegar ao ultimo capítulo e mais ainda ao Epilogo. 

Algumas Citações:


“Ela se ergueu no ar em frente a ele, e ele olhou para ela. Só olhou. Seu olhar atingiu com calor as bochechas, os lábios dela. Era toque. Os olhos dele eram hipnóticos, e as sobrancelhas, negras e aveludadas. Ele era cobre e sombra, mel e ameaça, a severidade das maças do rosto afiadas e o bico de viúva no cabelo, como a ponta de uma adaga. Tudo isso e o estalo abafado do fogo invisível e, encarando-o, Karou parecia ser jogada para dentro de uma melodia de sangue e magia, e mais alguma coisa.” — Pag. 182;
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“...ela sentia que era atraída para a sensação calorosa despertada por ele de que aquela era a coisa certa e a única a se fazer, como se ele fosse lugar e pessoa e, algo contrário a toda razão, exatamente onde ela deveria estar.” — Pag. 217;
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“Sua alma canta para a minha. Minha alma é sua, e sempre será, em qualquer  mundo. Não importa o que aconteça...” — Pag. 278;
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“— Então você é filha do amor. Parece mesmo que você foi feita de amor.
– E você? Seus pais se amavam?
– Não. Mas espero que os pais dos meus filhos se amem.” — Pag. 330.


4 Comentários

  1. Adorei a resenha, muito bem escrita! Mas, enfim, o livro em si não me interessou muito..
    Beijos!

    http://amandainacio.com/

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    1. Obrigada pelo elogios, e quanto ao livro, acho que não o recomendaria.

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  2. Eu acho a capa desse livro tão boa, pena que o conteudo aparentemente não é assim também..
    Adorei a sua resenha, estou seguindo!

    depoisdeumlivro.blogspot.com
    A visita de vocês ajuda muuito! Se gostarem e quiserem seguir, me fariam uma pessoa muito feliz!
    Beeeijos

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  3. Boa resenha, porém o livro não me interessou muito!
    Beijo!

    http://blogforevermay.blogspot.com.br

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