A música terminou com acordes leve que foram diminuindo até serem substituídos por um segundo de silêncio que logo foi sucedido por palmas das pessoas presente no restaurante. Os clientes do restaurante pareciam satisfeito com o pequeno “show” que acompanhou suas refeições. Ou pelo menos era isso que suas feições diziam.
Levantei-me segurando o violão em uma das mãos, e na outra arrumando minha saia. Fui até a frente do tablado que me deixava um pouco mais alta do que realmente era. Só assim todos os presentes poderiam me ver, baixa estatura é mesmo uma droga. Fiz uma mesura e me dirigi aos fundos, me despedi de algumas pessoas, peguei minha bolsa e deixei o local.
Caminhei alguns minutos até chegar em uma praça, recostei-me a um canto mais afastado das pessoas que lá estavam. Meu trabalho havia terminado por aquela noite, mas eu ainda não queria ir pra casa. Alguns transeuntes perdidos cortavam caminho por entre as arvores, todos perdidos em seus próprios mundinhos particulares para notar uma garota dedilhando de leve as cordas de um violão.
Mirei o céu, a lua prateada parecia ser a única a me saudar ali. Sorri meio idiota. Sempre tive uma fascínio inexplicável pelo astro, as vezes até me sentia como ela.  Observadora distante que em algumas noites brilhava e em outra se escondia. Aquela que se ilumina com a luz do sol ficando radiante pela presença, mesmo distante da estrela que lhe empresta um pouco de seu calor.
Naquela noite eu não sabia exatamente em qual das fazes me encontrava. Talvez um meio termo de suas fases. Suspirei deixando que os últimos acordes se perdessem no espaço. Levantei-me e segui rumo a minha casa, amanhã era um novo dia e outro show a ser preparado. 

Por: Priscila M. Santos (Lee_Pryh)


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