P.S. A letra não tem nenhuma relação com a história.
Só a melodia que me inspirou.

Já eram quase dez da noite e eu estava caminhando aleatoriamente enquanto tentava livrar minha mente da tonelada de problemas de sempre. Trabalho, discussões familiares, provas monstruosas e ainda um maldito professor da faculdade que me colocou na sua lista negra pelo simples fato de que eu discordei de uma de suas teorias. E olha que a matéria tem duas vertentes claras, até mesmo em livros. Definitivamente o “mundo moderno’ não permite as pessoas terem opinião própria.
As corridas noturnas eram pra mim como uma válvula de escape, geralmente só parava os exercícios quando estava fisicamente exausto. Era bem mais fácil poder chegar em casa e desmaiar na cama depois de um banho. Só assim eu poderia dormir sem ficar remoendo problemas por horas a fio. Método ruim? Seria isso ou passar a tomar remédios.
Alguns amigos andavam me diagnosticando com insônia por falta de mulher. Como se a causa do problema que os pseudo-médicos me deram já não fosse estranha, o grupinho, que até pouco tempo atrás não perdiam uma deixa para levantar a bandeira dos solteiros, me mandaram arrumar uma namorada. É a vida realmente dá muitas voltas.
Talvez não fosse uma idéia tão ruim assim, já que todos eles pelo menos aparentavam estar bem felizes com suas respectivas garotas. Pois é, sou o último solteiro da patota. No entanto, pensando por outro lado, se eu for mesmo cogitar a idéia não acho que seja tão fácil assim. Afinal as garotas que se pega na noite por ai não são as que se quer pra namorar. As do “biótipo certo” estão em falta, já que a maioria ou são interesseiras, desinteressantes, ou não tem um pingo de autocontrole sobre elas mesmas, não que eu queira uma mulher que seja controladora, mas também não quero alguém totalmente dependente. Revirando minha mente atrás de uma opção dentre as garotas que conheço não consigo encontrar uma com pelo menos duas das qualidades que citei, pelo menos não que esteja disponível. E elas ficam reclamando que falta homem no mercado, vida irônica.
Minhas divagações mentais me fizeram rir, eu havia ficado tão abalado assim com a sugestão dos caras? Aumentei o volume do ipod e voltei a correr dessa vez ainda mais rapidamente, queria parar de pensar. Tudo estava indo muito bem, até que depois de uns cinco minutos virei numa curva ladeada por árvores que impediam a visão de quem vinha do outro lado e acabei trombando com alguma coisa, me desequilibrei e cai. No entanto ao invés de sentir o impacto do chão com meu rosto, a queda foi amortecida por algo macio e curvilíneo. O que constatei depois ser o corpo de uma garota, que naquele momento me xingava baixo, enquanto eu a encarava desnorteado pelo deslize.
– Ah droga! Foi mal! – desculpei-me de forma desajeitada enquanto a ajudava levantar do chão.
– Eu diria que foi péssimo. – retrucou em to irônico, mas ainda assim com um vestígio de divertimento que já me era familiar.
– O que ta fazendo aqui a essa hora? – perguntei.

Se eu bem me lembro aquela garota de cabelo preto e mechas azuis que sentava a quatro mesas de distancia da minha no ultimo horário da quinta feira não era o tipo de pessoa que larga seus livros tão facilmente, quanto mais pra caminhadas noturnas. Pensar nisso me lembrou um fato meio irônico, apesar apesar de ser uma universitária nota dez para a maioria dos professores, assim como eu, ela também estava na lista negra daquele professor que não ia com a minha cara. O motivo disso? Sabe as mechas azuis do cabelo dela, – que tenho que confessar agrada bastante a mim, por ser uma coisa inesperada para alguém do nosso curso, e uma marca de sua personalidade, que segue o que acredita e não a opinião da maioria. – pois então, o idiota acha que elas são totalmente inadequadas. Enfim, ser odiado por um professor imbecil foi a segunda coisa de várias, além do curso, que eu descobriria, mais tarde, termos em comum.
Mas, voltando ao história, ao invés de responder de forma normal ela levantou uma das sobrancelhas apontando para a roupa de ginástica e os tênis de corrida, com uma cara de quem diz: “Isso devia ser óbvio até pra você”.
– Quis saber o porquê de você estar correndo a essa hora da noite. – reformulei a questão enquanto tirava uma folha do cabelo dela.
– Ajuda a aliviar o estresse. – ela deu de ombros e eu assenti concordando. Terceira coisa em comum. – Sabe como é trabalho, família, faculdade, isso pode acabar com a mente e o sono de uma pessoa. – ela riu de forma enviesada.
-- Entendo. – “Pelo menos não sou o único” confessei mentalmente. E depois disso acabei me perguntando se entre as coisas que tínhamos em comum ela também estaria precisando de um namorado. Não poderia questioná-la sobre isso, então simplesmente perguntei algo mais natural. – Quer companhia para o resto do percurso?
– Não vejo porque não.  – Respondeu com um sorriso contido.
Seguimos pelo parque lado a lado, aproveitando para conversar sobre os mais diversos assuntos. Acabei descobrindo mais coisa em comum com aquela garota. Desde então passamos a ir juntos ao parque com cada vez mais freqüência. Um dia deixamos de correr e começarmos a caminhar... Só que de mãos dadas. Pois é, acho que curamos a insônia um do outro.

Por:  Priscila M. Santos -  12/11/2011 – 19:55 horas


Nota: Esse conto[?] ficou maior do que eu esperava XD 
Desculpem se ficou ruim, meio gay,  não sou muito boa em escrever do ponto de vista masculino. Relevando isso espero que tenha gostado. Bjinhos...


3 Comentários

  1. Ia dizer amei, mas já disse isso da maioria né?
    Então deixa eu dizer "esse foi o que mais gostei".
    Esse vale uma continuação...
    Não ficou nenhum pouco gay, ficou muito bom.
    Deu vontade de sair correndo [e sairia se não fosse tão tarde da noite].

    Sério mesmo, desse.... pode ate sentir um gosto de continuação.

    Beijos ~

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  2. Olha Pryh. Sinceramente, eu estou boquiaberta aqui. Você evoluiu tremendamente na sua escrita, eu sinceramente, adorei.
    Voce usou os pontos fortes nos pensamentos do rapaz, deixou masculino sem ser pesado ou machista, o equilibrio ficou perfeito.
    Esta realmente de parabéns. Da vontade de sair caminhar e ver se eu dou sorte, haha.
    Mas serio, a cada post novo seu, eu fico mais impressionada.
    Divide o talento comigo, por favor? ):; Q

    enfim amor, parabpens. Eu ainda to boquiaberta pelo seu talento!

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  3. UAU! Adorei a fic! Ficou bem legal o ponto de vista masculino, muito bom mesmo.

    Parabéns, menina! Faça continuação porque merece! ^^v

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