Ela acordou um pouco exasperada no meio da noite, o suor escorrendo por sua testa em direção a suas bochechas.  Havia sonhado novamente com o mesmo rosto, porém da mesma forma das outras vezes não conseguia se lembrar o que acontecia no sonho. Apenas dos olhos e vagamente da voz de um rapaz.  Aquilo já estava deixando-a maluca, mas não havia nada que pudesse fazer para que os sonhos parassem.
Levantou-se da cama, precisava abrir a janela para que o quarto ficasse menos abafado. Assim que o fez uma brisa leve entrou pelo cômodo acariciando de leve seu rosto. A garota fechou os olhos apenas deixando-se relaxar pela sensação. Respirou fundo, agora mais calma. E resolveu que permaneceria na sacada. Caminhou  até o parapeito debruçando-se sobre o mesmo. Seus olhos percorreram a praia. As ondas quebravam na costa e refletiam a luz prateada da lua. Estava uma bela noite.
Depois de algum tempo notou uma figura mais escura na areia da praia. O mais estranho é que a poucos segundos não havia nada no local. Forçando as vistas ela conseguiu diferencia uma silhueta masculina entre a paisagem. 
O que estaria fazendo um homem sentando na areia àquela hora  da noite?
Sem conseguir uma resposta ela se restringiu a continuar observando, ele não se mexia, apenas ficava lá observando o mar.  Apesar do fato da casa não ser tão longe do local onde ele estava a garota não conseguiu reconhecer o rapaz, em contra partida uma sensação de fascínio se apossou de seu corpo, implantando em sua mente a necessidade de ir até ele.
A racionalidade alertava de que sair no meio da noite atrás de um estranho seria perigoso, mas naquele momento não era a razão que estava no comando. Consumida por uma energia magnética ela pegou um casaco em seu guarda roupas e saiu, descalça, correndo até a orla. Um tremor percorreu seu corpo quando os pés tocaram a areia fria. Pequenas gotículas de água trazidas pelo vento recaiam sobre seu rosto, o vento, agora mais forte, bagunçava seu cabelo, vez ou outra levando algumas mechas de encontro aos seus olhos.
A garota diminui o passo conforme se aproximava do desconhecido. Mesmo assim ele percebeu sua presença, mas não pareceu incomodado com ela ali. Mantinha-se sentado, os braços apoiados no joelho. Graças ao capuz cinza escuro ainda não era possível ver seu rosto.
– Você demorou. 
A voz a paralisou por um instante.  A poucos passos de distancia era impossível não reconhecer aquele timbre, o mesmo que ela ouvia em seus sonhos. O rapaz se virou para ela com um sorriso doce bailando canto de seus lábios. Perdida naqueles olhos negros que brilhavam feito ônix refletindo a luz da lua ela não disse nada apenas sentou-se ao lado do estranho conhecido.  Ele tomou uma das mãos da garota entre as suas e continuou fitando-a. Com a mão livre ela puxou o capuz do casaco, não queria nenhuma barreira atrapalhando sua visão. Ele fechou os olhos quando os dedos dela foram do tecido de seu agasalho para seus cabelos, bagunçando-os de leve num carinho hesitante. 
– Eu simplesmente adoro isso. – a voz dele soava calma, como se estivesse se sentindo totalmente à vontade com a presença dela. O estranho é que a garota se sentia da mesma forma.
– Quem é você? Como...
Ela não conseguiu terminar a pergunta, ou ao menos se lembrar do raciocínio que levara a esta. Os lábios exigentes do rapaz já estavam movendo-se numa dança sincronizada junto aos seus enquanto suas mãos a puxaram pra si, fazendo com que ela caísse sobre ele. Mas isso não importava, ela se sentia bem ali, e sabia que dessa vez não era apenas um sonho... Talvez nunca tivesse sido...


Por: Priscila M. Santos


3 Comentários

  1. A-mei! ♥.♥

    Me envolvi completamente, a narração está perfeita!

    Claro que eu ia dizer sobre o final, mas se for um conto, o final está super por dentro!
    (fã de contos aqui)

    ~
    Parabéns Pryh!
    ~

    Li que nem senti, e esse tipo de coisa me ganha. Tenho certeza que posso indicar sem medo...

    Kisu♥

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  2. *-----------------*
    Me senti a garota. Sua narrativa foi perfeita!

    Que você continue nos surpreendendo com seus textos e narrativas maravilhosos.

    Simplesmente amei, como tudo que você escreve <3 ~

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