Despreocupada ela tomava seu café numa daquelas mesinhas externas em um  coffeeshop. O dia estava um tanto frio, tentava esquentar as mãos no copo quente. De longe alguém a observava, mas ela estava alheia a isso. Terminou seu café e partiu, caminhando em meio a uma praça, estava tão imersa em seus pensamentos que só percebeu alguém levantando a mão para segurar as suas quando parou num tranco.
“Deixe-me ler sua mão linda menina.” Pediu a cigana.
A garota a analisou, não acreditava nisso, o futuro não parecia algo que poderia ser desvendado. Explicou-lhe isso, mas a cigana não se deu por vencida.
“Se fosse assim não pensaria nisso durante seus dias, não questionaria o que o destino lhe reserva como se você pudesse descobrir... Ah! Os mistérios do destino, tão simples para os que podem desvendá-los, tão complicados pra os que não possuem acesso”. Falou naquela voz enigmática deixando a garota espantada. Os olhos azuis tinham a cor realçada pelo lenço que envolvia seu rosto.
Ela encarou a menina que parecia confusa, tomou sua mão e continuou: “Você tem muitos sonhos, mas precisa lutar por eles, irá conseguir realizá-los, mas tem de lutar, correr atrás, ou tudo se perde, a roda da vida gira e os leva pra longe, sem luta você se torna apenas um galho a deriva no leito de um rio.”
Os olhos da garota se prenderam as orbes azuis, ainda desconfiados. “Você tem medos, e esses são seus piores inimigos, eles que lhe fazem fraquejar. Já se decepcionou, mas isso não significa que isso sempre ira acontecer linda menina.”
A frase a deixou boquiaberta, pois sempre parecia segura, mas lá no fundo sentia os medos, vindo a tona vez ou outra, não só quanto a sonhos, mas quanto outras coisas também. Deixou sua mão recair sobre seu corpo. Um sorriso malicioso surgiu na face da cigana e ela riu, de uma forma inexplicável, entre enigma e divertimento.
“Tudo requer luta, não só sonhos, pessoas também. Você não o terá se não lutar. Minha linda menina, pessoas são conquistadas, para conquistar você deve batalhar”
A garota parecia novamente confusa. Perguntou a cigana se ela conseguia ler pensamentos, mas a mesma apenas riu.
“Pessoas deixam transparecer mais do que imaginam pelos seus rostos. Agora vá, continue seu caminho, mas lembre-se, nada vem até você, lute pelo que o seu coração quiser.”
A garota assentiu e voltou a seguir se caminho, mas lembrou-se de não ter agradecido nem dado nada em troca a cigana pela leitura. Voltou-se para trás, mas ela não estava mais lá, apenas um brilho diferente recaia sobre aquele fim de tarde, o lugar onde a dona daqueles olhos enigmáticos estivera sentada agora era ocupado por uma borboleta, uma linda borboleta azul.

Por : Lee_Pryh


3 Comentários

  1. Wow!
    Simplesmente wow!
    Eu adoro estorias assim, que são presas a devaneios, parecem um sonhos e ao mesmo tempo uma coisa que poderia acontecer com qualquer pessoa.
    Eu simplesmente amei o texto Pry.
    Voce tem evoluido cada vez mais, meus parabens! ♥

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  2. “Você tem muitos sonhos, mas precisa lutar por eles, irá conseguir realizá-los, mas tem de lutar, correr atrás, ou tudo se perde, a roda da vida gira e os leva pra longe, sem luta você se torna apenas um galho a deriva no leito de um rio.”

    Muito a ver comigo. Ai ~ céus.

    Se eu gostei? Eu amei esse texto.
    Já te contei que uma cigana já me parou dizendo coisas do tipo?

    Mas o que você escreveu, me tocou, porque sei como é ~ claro, acho incrível como você consegue escrever o que as vezes sinto.

    Arrasou.
    Sua escrita tá genial.

    Beijos~♥

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